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sexta-feira, novembro 07, 2008




La Sangre


Há muito tempo tinha deixado de escrever. Acho que um ciclo havia se encerrado, os 100 contos tinham parado, misteriosamente, em 43. Hoje, eu decidi recomeçá-los. Não há uma razão específica para tal, apenas uma vontade de tentar concatenar novos momentos em antigos espaços.

Pensei muito antes de reconsiderar e escrever. Não acredito que eu ainda tenha leitores, talvez nem tenha mais fãs - fãs são legais, sempre te acham lindo. Obrigado, mãe. O motivo maior de reiniciar esta avnetura literária vulgar é lembrar que existem sangue e cicatrizes pulsando e escarando meu corpo; sangue e cicatrizes são elementos essenciais para se escreverem textos. Acredito que tenho a combinação dos dois, o que transforma meus textos em algo de fácil digestão como uma feijoada em dia útil.

Desta vez não utilizarei de artifícios ou espectros para escrever histórias, resumirei apenas uma autoconfissão da minha volta à escrita. Não para satisfazer ninguém (ninguém mais lê isso), mas apenas como uma auto-ajuda para que eu volte, paulatinamente, a expor meus sentimentos, emoções e sentidos, mesmo que travestidas em histórias cotidianas através de sobrenomes e sobre-egos, ou momentos dos outros que traduzo sob minha míope ótica peculiar.

O título desta reestréia é "La Sangre". Primeiro porque a expressão em espanhol é forte, passional e de certa forma silenciosa, o que me gera identificação; segundo porque um bom título às vezes mascara um péssimo texto, e este pode ser o caso e; terceiro porque eu gostei, e isso é fundamental numa nova jornada. Escolhi o título como escolho cuecas, de forma que sejam ambos sempre bonitos, limpos e não maculados por corpos estranhos.

Assim, anuncio, depois de longo hiato, a minha volta. Este conto não deveria ser conto, por ter uma narrativa quebrada, nula, não-linear. Mas talvez seja o mais conto de todos os contos, por ser a minha história, a minha confissão, o meu redespertar. Cheio de neologismos, cheio de esperanças ou desesperanças, dependendo do ciclo. Meus contos continuam não valendo nada, ainda mais depois da alta do dólar, mas o autor vale muito, pelo menos a seus próprios olhos. Meu sangue pulsa, forte.

bem-vindos de volta.



Conto depositado por Art at 3:32 PM






sexta-feira, julho 21, 2006




Foco


Abre os olhos. Observa o ventilador rodando freneticamente. Respira. Sente o prazer de respirar. Respirar é algo tão importante que é imprescindível. E é tão imprescindível que parece banal. Funga. Fungar é um ato inerente ao corpo humano, tem uma dose de prazer nisso. Não um prazer como de ir ao banheiro apertado, mas há um prazer nisso. Depois do sexo, ir ao banheiro descarregar as tensões do cotidiano é a melhor coisa do mundo. Levanta.

Observa a manhã fria de uma cidade quante. Quer dizer, frio não é. Mas pra quem se acostuma com 30 graus, 24 é um friozinho. O que os locutores de futebol chamam de "temperatura agradabilíssima". Agradabilíssimo é não suar. Ou não tiritar. Acende um cigarro. Eta, vício maldito. Mas é bom. A nicotina invadindo os pulmões é algo sensacional. Não, não é a glamourização do vício, é apenas a constatação de um fato. É inegável que cigarro mata, mas o PCC também mata, atropelamento também mata.E ambos os citados não dão o prazer que o cigarro dá. Lava o rosto.

Limpa os vestígios do sono anterior. A projeção astral de uma noite com metas a serem cumpridas. Sem pesadelos, apenas sonhos coloridos e preto-e-branco que se entremeiam alegremente. Parece presságio. Presságio é coisa boa, sempre. Os bons, claro.

Se banha, se veste, estuda, trabalha. Fuma, poucos cigarros, mas fuma. Entre vícios e virtudes, se equilibra. Busca a vida, sempre. Busca a vitória, sempre. Busca ter o sorriso limpo e a vida ganha. O foco é o alvo. O foco que falta quando abre os olhos ao acordar, mas sobra nas outras horas do dia.



Conto depositado por Art at 12:48 PM






quarta-feira, maio 24, 2006




Encruzilhada


Um dia que parecia comum começava. Aqueles dias chuvosos do inverno. Nada diferente poderia acontecer, mas aconteceu. Um telefonema e uma enxurrada de propostas e sondagens. Perspectivas de mudança.

Ofereceram mundos e fundos, principalmente fundos. Para alguém que não vive com fundos, isso é tentador. Sabendo que não há mundo sem fundos, fica mais tentador ainda. No afã de seduzir, ofereceram sem explicar, jogaram com armas pesadas, montaram a encruzilhada.

Vinte e quatro horas é muito pouco tempo para se analisar algo. Só Jack Bauer consegue salvar o mundo em tão pouco tempo. Seres humanos que não são super-heróis demoram mais tempo ponderando coisas sérias. Embora os mundos e fundos oferecidos fossem sedutores, outras coisas teriam de ser pesquisadas, medidas e pesadas. O primeiro golpe no aliciador foi olhar para as outras saídas. Toda encruzilhada tem quatro vias.

Sentou consigo e pensou. Conversou com pessoas importantes, ouviu a intuição. Calculou profundamente ônus e bônus; analisou de novo e decidiu. Esperou o telefone tocar mais uma vez. Respirou fundo, argumentou, escutou a voz implodindo, mal-disfarçando o desgosto. Recusou a proposta, categoricamente.

Por mais sedutor que seja o anseio, por mais belo que seja o demônio, a encruzilhada tem quatro saídas. Por mais que sejam oferecidos mundos e fundos, satisfação instantânea, há sempre um oásis no fim de um longo caminho. E o mundo real nunca é oferecido entre mundos e fundos.



Conto depositado por Art at 4:39 PM






quinta-feira, maio 04, 2006




Fumaça, engrenagem e vida cotidiana


Lá vamos nós, caminhando a passos rápidos, lépidos. Um dia como outro qualquer, onde nos defrontamos com a realidade em preto e branco de uma cidade comum, que alguém teima em definir como "esplêndida". Esplêndidos são a simplicidade, a dignidade e o conforto. Palavras abstratas nos tempos de hoje.

Roubam nosso dinheiro, subestimam nossa inteligência. Teimam em renegar as poucas horas de l(pr)azer que temos. O mundo voa enquanto caminhamos. E caminhamos lépidos. Quem somos nós? Quanto vale nosso esforço? Você tem esperança de que? Você tem esperança de? Você tem... esperança?

Os ponteiros do relógio se cruzam mais uma vez. Poente e nascente se confudem, misteriosos e jocosos. Desejos, sonhos e aspirações viram peças de Lego cujos encaixes caprichosamente não coincidem. Simplicidade, dignidade, conforto. Sonhos. Você sonha com o que? Você sonha com? Você... sonha?

E lá vamos nós ao fim do dia, com sonhos e dinheiro virando fumaça na fábrica de consumo cotidiano. A vida cotidiana tão profunda por ser rasa, na qual nossos mais infantis pedidos são conseguidos de forma dura. Engrenagens somos nós, feitos de carne e osso, além de cores belas do futuro que teima em não chegar, e descolore no presente. Por que vivemos? Vivemos por saber que podemos pintar o futuro, podemos ser donos da aquarela que hoje em dia está nas mãos de alguém que não tem talento ou dedos pra pintar. Você, eu, nós. Engrenagens a pleno vapor.



Conto depositado por Art at 4:45 PM






quarta-feira, abril 26, 2006




JB - A captura de Mr.Mendes


Como vimos na última aventura de JB, Mr.Danza passou-lhe a obrigação de capturar Mr.Mendes. Nosso agente terá de fazer esse serviço sujo em troca da manutenção de vida. Coisa simples, um serviço pela vida. Quase um Criança Esperança.

Passados 25 dias do encontro no cassino, Mr.Danza liga para JB: " - Cabrón, llegou a hora. Yo quiero Mendes! Mandarei um amigo lhe buscar". Nos primeiros sinais do pôr-do-sol, pára um ruivo na agência da Caixa Econômica Federal: cabelos desgrenhados, guia de oxalá, calça branca e camisa azul.

Orestes Vareta é o bicheiro mais famoso do Rio de Janeiro. Substitui Carlinhos Maracanã no comando da Portela. Cara humilde, gente fina, sangue bom, o Vareta. Parou com seu Mustang azul e chamou JB para executar seu serviço: " - ô Federal, tu usa arma?" JB, incrédulo e sarcástico, respondeu: " - Sou a favor do desarmamento, mas tenho uma Beretta comigo.". "- Então é melhor polí-la, hoje é chapa quente!"

Foram em direção a Academia Soares, na Freguesia. Soares é o sobrenome de Thin, um ex-professor de educação física que venceu na vida graças ao tráfico de anabolizantes e trabalhos de segurança. Mr. Thin Soares realizou inúmeros trabalhos para a Máfia, até que conheceu Mr.Mendes, que virou seu chefe.

Mr.Mendes foi forjado nas ruas. É mestre em comércio exterior, não o que se ensina nas universidades, mas aquele que consiste em fazer o circuito Rio- Ciudad del Este - Puerto Iguazu - Foz do Iguaçu - Rio. Hoje é dono de mais de cinqüenta pontos de venda de coisas falsificadas em várias cidades do Brasil, como Caruaru, Embu, Itu, e coisas do tipo que terminam com u.

Além dos negócios descritos acima, Mr.Mendes comanda a maior equipe de funk do Rio de Janeiro atualmente, a Tufão 3000. Tudo ia muito bem para Mr.Mendes, até que ele se envolveu com a Máfia. Negociar Natu Nobilis como se fosse Johnny Walker foi um ato cruel, muito cruel. Mr. Mendes costuma malhar na academia de seu segurança particular, e foi lá que Orestes Vareta levou nosso agente.

JB foi reconhecido por Mr. Soares da porta. Com seu jeito garoto maroto travesso acabado de sair da Caixa Econômica, seria impossível para um membro do círculo do crime não saber quem é. E Soares decidiu impedir a entrada de JB, a qualquer custo. JB chamou Vareta num canto e falou que resolveria aquilo sozinho, com um plácido diálogo.

" - Quem é você?"
" - Eu sou Soares, e você é JB, eu sei"
" - Que bom que você sabe, minha reputação está em alta mesmo. Quer um autógrafo?"
" - Eu sou seu fã, mas não quero um autógrafo. Vim aqui para impedir você de entrar. Você não é bem vindo aqui."
" - Por que não sou bem vindo aqui? Você pode me dar 3 motivos? E eu vou entrar sim, preciso falar com um amigo nosso."
" - Você não é bem vindo porque: 1 - Você é o JB; 2 - Eu não gosto de tiras no meu estabelecimento, não dos honestos e; 3 - Você está vendo meu tamanho né? Eu não quero lhe machucar."
" - Está bem Soares, serei bem convincente. Eu vou entrar por 3 motivos: 1, 2, 3: Eu tenho uma arma, carregada e apontada para sua cabeça. E posso garantir que esta frase não tem conteúdo erótico, embora as armas tenham tamanho similar."

Mr. Soares, sem opção, deixou JB e Orestes Vareta entrarem. Encontraram facilmente Mr.Mendes, o bandido platinado. Mr.Mendes olhou para os dois e disparou:

" - Quanto vocês querem para me deixar em paz? 100.000 reais?"

ao que JB respondeu:

" - Você acha que minha dignidade vale 100.000 reais?"

Vareta murmurou:

" - A minha vale..."

Depois de olhar com cara feia para Vareta, JB prosseguiu:

"- Mendes, vacilaste com Mr.Danza. Ele quer tua cabeça. Como tu és procurado por contrabando, é unir o útil ao agradável."

Mendes olhou desconfiado e falou:

" - Tenho alternativa?"

JB, o sábio:

" - Tem. Ligue para aquele bando de delegados gordos que compra contrabando com você. Aproveita e liga para aquele Secretário de Segurança canastrão, eles irão lhe ajudar."

Mendes se perguntava porque JB estava dando a dica. JB falou:

"- Enquanto você estiver nas ruas, Mr.Danza não reina só. E isso diminui meus problemas."

Às 23:30, no jornal noturno, apareceu Mr.Mendes sendo preso. Orestes Vareta ligou para Mr.Danza confirmando toda a prisão, sem contar nada do que ouviu lá. Afinal, sua dignidade valia 100.000 reais, e o silêncio saía na promoção. Mr.Danza ficou todo feliz e agradeceu a JB.

No dia seguinte, Mr. Danza liga:

"- Rrota Bê, Mendes fugiu."

"- Ô Mr.Danza? Eu tenho cara de carcereiro? de babá? Então é o seguinte: Eu fiz o combinado, agora é cada um por si. Se você o deixou fugir, azar. E se ligar de novo para cá, eu vou rastrear sua ligação e prendê-lo, ok?"

"- Cabrón..."

"- Cabrón nada. Não me aporrinha!!!"

Mr.Mendes foi tirar umas férias no Paraguai. Mr. Danza ficou possesso com a atuação da polícia no caso, e resolveu saquear os depósitos de Mr.Mendes. Orestes Vareta foi ver o samba da Portela com mais dinheiro no bolso que ele imaginava conseguir na empreitada. JB foi dormir, porque amanhã o banco abre cedo, para atender aposentados. Agente secreto sofre...



Conto depositado por Art at 5:05 PM






terça-feira, abril 25, 2006




O Cassino (11/2004)


O grande agente secreto Julio Barros estava atarefado demais com as burocracias do seu disfarce de bancário da Caixa Econômica Federal. JB - como o bom whisky, o bom jornal e o quasevoltandoaserbom zagueiro - se via envolto no meio de tantos processos e aberturas de contas infindáveis, que conseguiu durante um bom tempo se esquecer da máfia hispano-armênia liderada por Mr.Danza e Mr.Avzaradel.

Um belo dia o seu celular toca. Ele não consegue atender e liga de volta, a cobrar, claro, uma vez que não pode dar na pinta do seu glamuroso emprego de agente do governo. Era sua chefe, Mrs. Ebrenz. Uma agente de grande conceito, casada com um romeno que vivia na Albânia e é refugiado do Kosovo - Mr. Kasiarz - Mrs. Ebrenz acumula as funções de agente-chefe da organização com as de dona de casa, mãe 24 horas, dona de um boxer e praticante de boxe. Com essas credenciais, JB sabia que aquela ligação não era brincadeira e tratou de ser o mais singelo e humilde possível:

- Oi Chefe

- JB, a máfia abriu mais um estabelecimento

- Sério? mais uma casa de família?

- Não, agora é um cassino.

- Um cassino? Sério? Onde?

- Na esquina da Rua do Riachuelo com Tadeu Kosciusko.

- Ok, irei para lá assim que atingir minha meta de clientes diários.

- Certo. Lembre-se que o estabelecimento é disfarçado.

- Ok Gostos... ops, chefe


Ao fim de mais um dia de trabalho, JB foi ao Bairro de Fátima, um aprazível bairro do Centro do Rio, conhecido por sua fartura, supermercados e motoristas de ônibus que atropelam velhinhas. Chegando lá, JB não conseguiu acreditar quando viu o disfarce no qual o cassino se escondia: A Toca do Coelho, que para as classes C, D e E tem o mesmo peso de uma Confeitaria Colombo. Sabia que ali era um disfarce, mas não sabia como entrar. Ficou de tocaia, quando viu uma figura muito conhecida aparecer de batina e sandálias franciscanas: Monge Antonino, a figura mais amada do Leblon, a ponto de ofuscar Manoel Carlos quando aparece na rua. O Monge era tão habilidoso com as cartas quanto comendo hóstias, e JB sabia disso. Ouviu a Senha disparada pelo Monge - "Vim buscar meus ovos de páscoa" - e mandou a mesma ladainha, adentrando o recinto.

Lá dentro, atrás de vários ovos e chocolate do século passado, estava a porta que levava ao cassino. O que JB não sabia, nem desconfiava, era que lá dentro estava a nata da máfia hispano-armênia: Mr. Danza, dono de 95% do Bairro de Fátima - "como não pensei nisso antes, que droga!" - Mr. Avzaradel, entre outros. Uma presença chamava atenção no local. Um empresário, do alto de seus 1,40m. Óculos redondos, figura franzina, político conhecido na cidade inteira, Mr. Potter foi fazer uma fézinha justamente aquele dia. Encontrou uma mesa conhecida: de um lado, Mr. Danza e Caveirinha, seu segurança particular que tem esse nome justamente por causa disso que você está pensando, além de Mr.Avzaradel, claro. Do outro, Mr. Potter e o Monge Antonino.

Logo após, chegou o mais temido bicheiro da Tijuca, Luis del Samba. Del Samba disputa com Orestes Vareta a maior quantidade de pontos de bicho da cidade. Ele fica com a área do bairro Tijucão, enquanto Orestes domina Madureira, Oswaldo Cruz e adjacências. Del Samba provavelmente queria se aliar a Mr. Danza, mas quando Mr.Danza o olhou, apenas o cumprimentou brevemente, soltando um petardo direcionado a nosso agente fanfarrão:

"Rrota Bê, porque me persegues?"

Ao que o agente respondeu:

"Veja bem Mr. Danza, talvez porque seja uma personagem exclusiva do autor deste texto, talvez porque eu trabalhe em uma agência do governo e você seja criminoso, ou só de sacanagem, isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que aqui estão algumas das maiores entidades do Rio de Janeiro, e as coisas vão ficar difíceis. Pra quem eu não sei..."

Mr. Danza não perdeu a calma, escoltado no seu portunhol herdado de Chico Recarey:

"Rrrrota Bê, não sea tan radical. Usted tem de ver el seguinte: Estoy precisando de sua ajuda. Usted acha que entraria aqui se eu não quisesse falar com você?"

Diante do óbvio ululante pintado em sua frente, JB resolveu contemporizar...

"tem um whisky aí?"

E Mr. Danza falou:

"Usted tiene de me ajudar... Mr.Mendes me vendeu 300 garrafas de Natu Nobilis como se fuera Johhny Walker. Así fica difícil trabalhar... muy complicado!"

A proposta enveredou por vários caminhos e ficou acertado que capturar Mr.Mendes era una missión por fuera de JB. Assim, com sua vida garantida - e uns trocados também - nosso agente se dedicou a ver o jogo de poquer, uma rodada que contava com Potter, Monge, Danza e Avzaradel, até porque, com um texto deste tamanho, capturar Mr.Mendes só em um futuro episódio.

A partida caminhava dramática. Uma fortuna rondava a mesa. O Monge, tenso, aposta uma soma alta, rezando para que ganhasse a rodada e não desperdiçasse todo o dízimo daquele mês; Avzaradel, como sempre seguro e falastrão, debocha, cobra e pede o dobro; Potter diz, seguro: " - 100 paus" e coloca um caminhão de fichas de 1000 na mesa. Todos se entreolham e Danza, solta a pérola: " - Yo sé que tu não tienes pau, sendo así cubro su oferta, dobro o valor em dinero e quero su mujer!". O clima pesa, Potter aceita a aposta - "Leva aquela baranga, mas se eu ganhar quero três garotas suas para serem minhas faxineiras. Eu pago pra ver" - . Danza aceita, olha para JB e indaga: " - Rrrrota Bê, que achas?".

JB finaliza, de pronto: " É óbvio que o monge vai levar."

Todos se entreolham, e JB continua: -"Todos querem lavar seu dinheiro... Potter não quer se livrar da baranga, filha de um deputado do PDT de mil novecentos e Leonel Brizola era vivo, pois sabe que sem ela, ele é um nanico, sem trocadilhos. Muito menos você se desfaria de três meninas tão fácil. Avzaradel foi seu testa-de-ferro, para variar."

Todos, com exceção d´O Monge ficam furiosos, mas se calam e dão o dinheiro para o clérigo. Danza olha para JB e diz: "Mendes, em un mês, cabrón". Os outros só externam sua raiva. O Monge mostra discretamente seu ridículo par de 6, com um sorriso agradecido e nosso agente pensa na explicação que dará a Mrs. Ebrenz, que fatalmente perguntará porque o cassino continua funcionando... sai pela cidade e ainda encontra Del Samba: " Diz aí, ô federal... quer uma carona?". Às 3 da manhã, convém aceitar más companhias...



Conto depositado por Art at 4:25 PM






quinta-feira, abril 20, 2006




JB - O Agente Secreto (09/2004)


Grandes escritores criaram agentes secretos. Peter Vest-Pocket por Veríssimo, Poirot por Agatha Christie, Sherlock Holmes por Connan Doyle e afins. Todos com nomes pomposos e espalhafatosos, adornados com aquele sotaque gringo. Estava na hora de um agente brasileiro surgir. Nada melhor que eu, um escritor de 100 contos que não valem nada, relatar as aventuras (e por vezes desventuras) de um agente real, de carne e osso, que transpôs a vida e entrou num blog: Júlio Barros, o mito.

Júlio não joga poker, Júlio joga truco; Não dança valsa, dança flamenco; Não fuma cachimbo, fuma cigarros light; Não tem a filatelia como hobby, mas pesca nas pedras do Arpoador; Enfim, Júlio Barros é o que há de mais moderno em nível detetivesco(sic) no Brasil.

E antes que o comparem com outrem, Júlio não é como Ed Mort que só vive sem dinheiro. Ele é da ABIN, Agência de Inteligência do Governo, mas é tão genial que se disfarça de bancário da Caixa Econômica para não levantar suspeitas. É capaz de levar as moças a loucura com seu charme e tiradas. Um gentleman, um mito. Não tem o Aston Martin de Bond, James Bond, nem é grudento como Zeen, Andre Zeen; Anda de ônibus para não dar pinta de bon vivant e poder falar de igual pra igual com o povo, seu maior informante.

Ele tem diversos casos fantásticos e frequentará esse bar de vez em quando, contando estórias sobre a máfia hispano-armênia liderada por Mr. Danza e Mr.Avzaradel; O charlatanismo barato de Mr.Potter; O tráfico de entorpecentes de academia de Mr. Thin Soares e o tráfico de Natu Nobilis de Mr.Mendes, entre outros.

O Caso Help! - Caso nº098282827

Estavam alguns integrantes da Máfia Hispano-Armênia denominada de Los Mengones de Ierevan na porta de uma casa familiar em Copacabana, cujo nome é Help!. Esta Máfia comprou todas as residências de Copacabana, como a Balcony, a Cicciolina e a Help!, para abrigar meninas desamparadas. Pois bem, Marcus Cryptus Virgilius, um grego da cidade de Voltius Redondus radicado no Rio, chamado por todos da organização simplesmente de "De La Crypta" (os codinomes em espanhol são exigência de Mr.Danza, o grande chefe de 1,69 e ½ m que dirige a organização), percebeu a presença de Júlio Barros ( - "Meu nome é Julio Barros, JB para os íntimos. JB, como o bom jornal, o bom whisky e o mau zagueiro") no lar familiar da Help, e designou Lolita Nery para tentar seduzí-lo.

Lolita Nery era o tipo de mulher que todo homem sabe que um dia vai cruzar sua vida: Bonita, gostosa, indecisa e irritante o suficiente para deixar qualquer um louco. Ela mirou nos olhos de JB, de forma caliente. Pediu para ele um Dry Martini, ao que ele respondeu, mais dry que o próprio Martini: "- Trabalhando na Caixa, você acha que tenho como pagar drinks para as mulheres?". Ela perguntou: "- Você é banqueiro?". Ele respondeu: " - Não, sou bancário, e tenho ainda uma profissão secreta, que complementa meu salário.". Papo vai, papo vem, de la Crypta manda Lolita seduzir nosso herói, que já tinha tomado uns 20 copos de whisky (-"Whisky bom, é JB?") e levá-lo para o quarto, para que a Máfia desse cabo dele, antes que ele desse cabo da Máfia.

Lolita chega para JB e dispara, lânguida: "- Você é muito sedutor, eu quero você esta noite... vou lhe matar de prazer". Ao que ele respondeu com um singelo e cativante olhar; Lolita então falou "- Você me quer?". Ele respondeu: " - "Claro, eu sou bancário, mas isso não significa ser gay"". Então ela disse: "- "Vamos para o quarto, meu cachê é trezentos reais. Quero te enlouquecer e saber sobre essa profissão secreta que tens. Estou muito interessada nela.". JB balançou a cabeça positivamente.

Ao passar pelo bar, Lolita cochicha para De La Crypta:"Espere eu pegar o dinheiro dele. Depois aciono o botão, você entra no quarto com Mr. Dib Al-Baranga e detone JB". Sob olhar cúmplice de seu parceiro de pilantragem, Lolita busca JB, carregando-o pela mão. Chegando ao quarto, tiram a roupa, fazem amor loucamente e depois Lolita vai cobrar o dinheiro. JB olha para ela, sério, e diz: "Lembra da minha profissão secreta?". Ela: "Ahan". Ele, compenetrado:"Pois é, além de bancário sou michê". Ela olha... ele continua:" E cobro trezentos e cinqüenta reais. Sendo assim, eu vou embora agora, pela saída de emergência e você me deve cinqüenta, que cobrarei devidamente depois.".

Lolita ainda grita e aciona os capangas da Máfia, mas a esta altura JB já está na Barata Ribeiro, caminhando pela madrugada com as calças na mão, cantando (e vestindo)uma samba-canção. Para a Máfia resta armar outra arapuca, antes do grande agente secreto começar a agir novamente, colocando os negócios escusos da Organização em risco; E para Lolita resta o ódio, a camisa US Top azul, de algodão, e a noite de amor mais surpreendente de sua carreira de menina de família.

(N. da LE. Todos os textos da série "Julio Barros, o agente secreto" utilizam-se de casos do Mengão adaptados, mudando os personagens, mas sempre homenageando os amigos. Sendo assim, nenhum dos meus amigos é contrabandista, mafioso, puta e afins... é apenas ficção. hahahaha ;))



Conto depositado por Art at 7:46 PM








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Arthur Chrispin, 20 e poucos, Advogado feliz e contente, mas observador e amante da vida, músico, poeta e letrista por hobby, noivo, Capixaba de nascimento, Carioca de alma, Pernambucano por circunstância e amor. Feliz assim. Gosta de escrever contos, crônicas e o que der na telha. Sonha fazer 100 contos. Sabe que não valerão nada. Mas tem a cara de pau de publicá-los assim mesmo.


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